terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dia de cão



 
                Acordei atrasada, ônibus lotado e dois celulares pareciam disputar quem tocava a pior música no volume mais irritante às 6 da madrugada. Passei todo o percurso pensando em como torturar e matar de forma lenta indivíduos que conseguiram meu ódio assim, tão facilmente. Desci do ônibus depois de praticar contorcionismo porque tinha gente sentada na porta e um gordinho que não entende a expressão “com licença, por favor”.
                Na aula sono e só, uma dor no estômago ainda vazio pelo atraso parecia gritar: “Vá comer um búfalo, menina”, voltei pra casa para almoçar mais cedo e resolvi tirar um cochilo.
Droga, perdi a hora novamente e acordei com meu celular tocando irritantemente. Sério MRV? Vocês querem me vender um apartamento enquanto eu ainda estou planejando tirar carteira e passar no vestibular? Desliguei.
                Banho corrido, uma mensagem sem resposta e duas músicas depois eu subi a rua para pegar ônibus para variar correndo. Um cara muito estranho me para no meio do caminho e me pergunta as horas, respondi educadamente e segui em frente, percebi logo em seguida que o estranho estava andando atrás de mim e sem muita paciência ou juízo o perguntei o porque, ele sorriu e foi embora. Cara estranho e atrasada acabei pegando o primeiro verdinho que passou e quis chorar quando vi que tinha entrado no ônibus errado. DROGA. Pelo menos dessa vez não tinha ninguém ouvindo funk em volume humanamente inaceitável. Desisti de me preocupar. Outra mensagem sem resposta.
                Depois de fazer um tour pela cidade, entrar em locais que eu jurava que o ônibus sairia lambendo as paredes das casas cheguei novamente ao cursinho. Ânimo? Zero. Depois de chorar por uma ligação que me tirou o chão meu estômago novamente ficou irritado e com outra mensagem sem resposta comi qualquer coisa e vi as aulas.
                Eu podia me teleportar para casa, podia acabar aquele dia infernal ali e dormir por 3 anos, mas eu resolvo acabar de ferrar a minha vida e peço que um amigo me acompanhe até em casa. Pausa para respirar fundo. Celular no silencioso e três chamadas depois me deparo com o que eu menos poderia pensar, confusão.
Mesmo não estando errada eu peço paz, fico em silêncio e choro baixinho. Uma hora depois, um acesso de raiva e um prejuízo que me fez chorar ainda mais desisti de ser sensata e comi uma barra de chocolate inteira e enquanto isso um dos meus motivos de não conseguir dormir está no vigésimo sono e tranquilo.
                  Dizem que todo mundo tem um dia de cão, mas acabei chegando a coclusão que eu não devia ter saído da cama.