sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Um tanto quanto à deriva





Como no mar a tormenta começou no meio da noite e sem o menor aviso acabou causando alguns danos. Não importa o quão forte e completamente reforçado o barco seja, a cada onda que molhar o casco sentirei aquele arrepio já conhecido de um naufrago.
Com a mesma velocidade que o vento muda de direção passamos das mais calmas e simples situações as mais complexas e delicadas, posso dizer que comecei a pecar por dizer coisas sem pensar duas vezes ou sequer uma, algumas palavras parecem saltar da minha boca e quando volto a me concentrar posso pressentir uma tempestade chegando.
Talvez eu esteja mais sensível quando se trata de você, mas acabei percebendo que seus pensamentos transparentes e seus silêncios cheios de palavras são os fatores que me fazem sentir o quão delicada é a situação.
Por mais que a discussão me renda alguns arranhões, por mais que na hora eu ache que tem um buraco imenso e o barco vai afundar eu acabo me perdendo quando coloco tudo na balança. Ali o seu cheiro me lembra a sensação gostosa de colocar os pés na areia e sentir o vento forte que vem do mar, seu colo tem a mesma sensação do sol na pele gelada.
Eu acabo a noite me odiando e tentando entender o porque de ter um âncora tão forte que parece nem sentir as ondas quebrando, algumas horas eu penso que eu não tenho mais controle do leme e estou à deriva.
Não tenho muitas opções, por possuir uma paixão tão grande pelo mar hei de encontrar formas de superar as tormentas, mas fique a vontade para passar um pouco de protetor solar nas minhas costas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dia de cão



 
                Acordei atrasada, ônibus lotado e dois celulares pareciam disputar quem tocava a pior música no volume mais irritante às 6 da madrugada. Passei todo o percurso pensando em como torturar e matar de forma lenta indivíduos que conseguiram meu ódio assim, tão facilmente. Desci do ônibus depois de praticar contorcionismo porque tinha gente sentada na porta e um gordinho que não entende a expressão “com licença, por favor”.
                Na aula sono e só, uma dor no estômago ainda vazio pelo atraso parecia gritar: “Vá comer um búfalo, menina”, voltei pra casa para almoçar mais cedo e resolvi tirar um cochilo.
Droga, perdi a hora novamente e acordei com meu celular tocando irritantemente. Sério MRV? Vocês querem me vender um apartamento enquanto eu ainda estou planejando tirar carteira e passar no vestibular? Desliguei.
                Banho corrido, uma mensagem sem resposta e duas músicas depois eu subi a rua para pegar ônibus para variar correndo. Um cara muito estranho me para no meio do caminho e me pergunta as horas, respondi educadamente e segui em frente, percebi logo em seguida que o estranho estava andando atrás de mim e sem muita paciência ou juízo o perguntei o porque, ele sorriu e foi embora. Cara estranho e atrasada acabei pegando o primeiro verdinho que passou e quis chorar quando vi que tinha entrado no ônibus errado. DROGA. Pelo menos dessa vez não tinha ninguém ouvindo funk em volume humanamente inaceitável. Desisti de me preocupar. Outra mensagem sem resposta.
                Depois de fazer um tour pela cidade, entrar em locais que eu jurava que o ônibus sairia lambendo as paredes das casas cheguei novamente ao cursinho. Ânimo? Zero. Depois de chorar por uma ligação que me tirou o chão meu estômago novamente ficou irritado e com outra mensagem sem resposta comi qualquer coisa e vi as aulas.
                Eu podia me teleportar para casa, podia acabar aquele dia infernal ali e dormir por 3 anos, mas eu resolvo acabar de ferrar a minha vida e peço que um amigo me acompanhe até em casa. Pausa para respirar fundo. Celular no silencioso e três chamadas depois me deparo com o que eu menos poderia pensar, confusão.
Mesmo não estando errada eu peço paz, fico em silêncio e choro baixinho. Uma hora depois, um acesso de raiva e um prejuízo que me fez chorar ainda mais desisti de ser sensata e comi uma barra de chocolate inteira e enquanto isso um dos meus motivos de não conseguir dormir está no vigésimo sono e tranquilo.
                  Dizem que todo mundo tem um dia de cão, mas acabei chegando a coclusão que eu não devia ter saído da cama.