sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Proteção 48 horas






De tanto tomar porrada acabamos esfriando, é simples. Uma imunidade é criada para que tudo doa menos, de toda forma um escudo não dura 48h como os desodorantes da televisão e acabamos baixando a guarda.
Aí você se vê naquele dilema, tudo é muito quando se trata de relacionamentos e em muitas ocasiões sentimentos se tornam exponencialmente perigosos. Sei lá, acho que qualquer relacionamento é complicado, amizades, família, amor, tudo exige um bom rebolado para fazer dar certo.
O problema é que nem tudo depende da gente, a outra parte que faça por merecer. Ceder é bom, mas em demasia é submissão, orgulho é necessário, mas teimosia é outra coisa. Mudamos em busca de uma melhora, sejam coisas pequenas como tentar se adaptar ao gosto musical e não reclamar quando estiver no último volume uma música que você nunca ouviu, como coisas maiores, alguns ajustes são bem vindos.
Só que no meio de toda essa receita pra fazer dar certo algumas coisas acabam interferindo, podem ser coisas completamente idiotas, mas fazem um dia ficar cinzento em poucos minutos.  Uma amiga inconveniente, um ex que é pior que sarna, os horários completamente diferentes. Uma coisa leva a outra e rapidinho você percebe aquela nuvem preta e carregada se aproximar.
No final de tudo isso bate aquela dúvida, “volto a tentar me proteger 48h ou aprendo a driblar algumas confusões?” O que ninguém te conta é que uma vez que você abaixa o escudo não tem volta. Talvez a pergunta correta seja: Como criar uma imunidade a dois? Como não deixar os fatores externos ruírem algo que faz bem? É, como eu disse, é bem complicado.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Um tanto quanto à deriva





Como no mar a tormenta começou no meio da noite e sem o menor aviso acabou causando alguns danos. Não importa o quão forte e completamente reforçado o barco seja, a cada onda que molhar o casco sentirei aquele arrepio já conhecido de um naufrago.
Com a mesma velocidade que o vento muda de direção passamos das mais calmas e simples situações as mais complexas e delicadas, posso dizer que comecei a pecar por dizer coisas sem pensar duas vezes ou sequer uma, algumas palavras parecem saltar da minha boca e quando volto a me concentrar posso pressentir uma tempestade chegando.
Talvez eu esteja mais sensível quando se trata de você, mas acabei percebendo que seus pensamentos transparentes e seus silêncios cheios de palavras são os fatores que me fazem sentir o quão delicada é a situação.
Por mais que a discussão me renda alguns arranhões, por mais que na hora eu ache que tem um buraco imenso e o barco vai afundar eu acabo me perdendo quando coloco tudo na balança. Ali o seu cheiro me lembra a sensação gostosa de colocar os pés na areia e sentir o vento forte que vem do mar, seu colo tem a mesma sensação do sol na pele gelada.
Eu acabo a noite me odiando e tentando entender o porque de ter um âncora tão forte que parece nem sentir as ondas quebrando, algumas horas eu penso que eu não tenho mais controle do leme e estou à deriva.
Não tenho muitas opções, por possuir uma paixão tão grande pelo mar hei de encontrar formas de superar as tormentas, mas fique a vontade para passar um pouco de protetor solar nas minhas costas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dia de cão



 
                Acordei atrasada, ônibus lotado e dois celulares pareciam disputar quem tocava a pior música no volume mais irritante às 6 da madrugada. Passei todo o percurso pensando em como torturar e matar de forma lenta indivíduos que conseguiram meu ódio assim, tão facilmente. Desci do ônibus depois de praticar contorcionismo porque tinha gente sentada na porta e um gordinho que não entende a expressão “com licença, por favor”.
                Na aula sono e só, uma dor no estômago ainda vazio pelo atraso parecia gritar: “Vá comer um búfalo, menina”, voltei pra casa para almoçar mais cedo e resolvi tirar um cochilo.
Droga, perdi a hora novamente e acordei com meu celular tocando irritantemente. Sério MRV? Vocês querem me vender um apartamento enquanto eu ainda estou planejando tirar carteira e passar no vestibular? Desliguei.
                Banho corrido, uma mensagem sem resposta e duas músicas depois eu subi a rua para pegar ônibus para variar correndo. Um cara muito estranho me para no meio do caminho e me pergunta as horas, respondi educadamente e segui em frente, percebi logo em seguida que o estranho estava andando atrás de mim e sem muita paciência ou juízo o perguntei o porque, ele sorriu e foi embora. Cara estranho e atrasada acabei pegando o primeiro verdinho que passou e quis chorar quando vi que tinha entrado no ônibus errado. DROGA. Pelo menos dessa vez não tinha ninguém ouvindo funk em volume humanamente inaceitável. Desisti de me preocupar. Outra mensagem sem resposta.
                Depois de fazer um tour pela cidade, entrar em locais que eu jurava que o ônibus sairia lambendo as paredes das casas cheguei novamente ao cursinho. Ânimo? Zero. Depois de chorar por uma ligação que me tirou o chão meu estômago novamente ficou irritado e com outra mensagem sem resposta comi qualquer coisa e vi as aulas.
                Eu podia me teleportar para casa, podia acabar aquele dia infernal ali e dormir por 3 anos, mas eu resolvo acabar de ferrar a minha vida e peço que um amigo me acompanhe até em casa. Pausa para respirar fundo. Celular no silencioso e três chamadas depois me deparo com o que eu menos poderia pensar, confusão.
Mesmo não estando errada eu peço paz, fico em silêncio e choro baixinho. Uma hora depois, um acesso de raiva e um prejuízo que me fez chorar ainda mais desisti de ser sensata e comi uma barra de chocolate inteira e enquanto isso um dos meus motivos de não conseguir dormir está no vigésimo sono e tranquilo.
                  Dizem que todo mundo tem um dia de cão, mas acabei chegando a coclusão que eu não devia ter saído da cama.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Uma outra jornada



Eu me deparei com uma realidade preocupante há alguns meses atrás, percebi na marra que eu estava completamente entorpecida. Entorpecida de uma forma que eu não sentia mais nada, de tanto evitar sofrimento eu passei a evitar sentir, sentir qualquer coisa, seja felicidade ou dor. Tudo que tentou passar pela minha vida se desfez como se ao meu toque virasse pó e honestamente eu pouco ligava para isso, o vazio chegou a ser tão grande, chegou a ser puro e completo. Pessoas, lugares, sentimentos, minha própria alma parecia tão sem graça e eu continuava sustentando um sorriso largo por pura falta de vontade de enfrentar meus demônios. Até que ali, no começo do ano eu senti. Senti algo que eu mesma fiquei estarrecida. Eu perdi. Percebi que eu me perdi por ser completamente leviana não só comigo mesma, mas com quem sempre me confortou e me abraçou quando o mundo parecia um lugar não muito habitável. Doeu.  E muito. Ficava ali sem saber o que fazer, desligaram meu piloto automático sem minha permissão e eu tinha de assumir tudo que eu sentia e vivia sem nem ao menos ter tido uma aula inicial de como frear a minha própria vida. Novamente, doeu.  Doeu, mas fez bem. Eu percebi que eu sentia, respirava e que eu estava ali sem mais tantos bloqueios, só existia eu mesma. Consegui parar e refletir o rumo que eu dava na minha vida, “porque, quando estou fraco, então, sou forte”.
Ali naquele momento eu parei de sobreviver e comecei a jornada de viver. Viver em busca da felicidade. Em busca de uma satisfação só que um por do sol na pedra mais alta de uma cidade pequena proporciona, do frio extremo e do aconchego de um abraço familiar, da risada daquele que eu amo e da simples troca de amar e ser amada.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Apocalipse mudo


Dói esfolar os punhos, chorar até dormir e acordar logo em seguida. Dói ter palavras presas, garganta seca, unha descascada e falta de apetite.
Já começo a achar que o céu, o inferno e até mesmo o purgatório estão no mesmo lugar, estão aqui dentro da minha cabeça e honestamente pelo quanto ela está latejando neste exato momento vejo um apocalipse em andamento.
E ás vezes dói tanto que você não consegue dizer mais nada.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Aquela certeza



A vontade é quase incontrolável, se eu conseguisse provavelmente iria ficar sem voz de tanto gritar. Soltaria esse choro que fica preso na garganta, acabaria com a falta de ar. Vontade de te fazer sangrar, deixar toda essa raiva sair de dentro das minhas veias.
Depois de toda a briga e do choro eu soluço sozinha no meu quarto sem saber o que fazer com os punhos esfolados de tanta raiva, não sei esperar que o tempo cure ou resolva. Esmurrar a parede para não perder o autocontrole e deitar abraçada com o urso que você me deu de aniversário.
Essa incoerência me assusta e me acalma. No final me prendo completamente a esperança que tudo dê certo,  a essa vontade de ficar ali no seu colo de me sentir pequena e protegida. É tudo tão intenso, devastador e reconfortante, completamente vicioso.

E o que mais me impressiona é que mesmo com essas vontades atravessadas, com o coração apertado no peito eu continuo com aquela certeza de que se não for você, não será mais ninguém.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Refletindo sobre sorrisos



As luzes da cidade iluminavam fracamente meus pensamentos, o vento parecia querer dançar com meu cabelo e eu só queria que você estivesse aqui para que eu pudesse me esconder no teu abraço.

Baixei os olhos e segui toda a escadaria, fiz aquele questionário mental que leva alguns minutos do dia para registrar tudo que acontece, ouvi a música ficar distante e dei ouvidos aos meus sentimentos, aqueles que têm a incrível mania de se esconderem completamente no meio de artérias, veias e emaranhado de pensamentos.


De olhos fechados eu vi o quanto eu estava calma, percebi a respiração tranquila e só voltei a realidade quando notei a companhia de um cachorro que passava por ali, sorri, acho que ultimamente isso tem acontecido bastante.


Um sorriso que ilumina toma conta todos os dias quando recebo sua mensagem de bom dia, esboço um sorriso bobo a cada vez que penso em você durante o dia e mesmo sem pensar a alegria se faz presente e consigo sorrir por ter a companhia de um vira-lata muito charmoso que deitou no meu tênis e recebeu alguns minutos de carinho.
Perguntei em silêncio se tudo continuaria certo e se eu seria feliz daqui pra frente, me senti uma menina boba quando me distraí dos meus próprios pensamentos e sem perceber comecei a fazer planos e novamente me peguei sorrindo.

Depois de passar alguns minutos ali refletindo sobre todos esses sorrisos eu percebi que o mais importante é que eu não preciso de muita coisa, seu colo, seu cheiro, seu carinho e nada mais.